sábado, 17 de março de 2012
Carta 94
Quem se vai vestir de púrpura senão para se exibir? Quem usa baixela de ouro para comer sozinho? Quem, estendido sozinho no campo, à sombra de uma árvore, faz estadão de todo o seu luxo? Ninguém se adorna para se autocontemplar, nem sequer para se apresentar diante de alguns amigos e familiares; adequa, sim, o aparato dos seus vícios às dimensões da multidão que o observa! É assim mesmo: se alguém admira ou conhece o objeto das nossas loucuras, ainda mais nos comprazemos nelas. A falta de ocasião para os exibir afastar-nos-á de desejos insensatos. Ambição, luxo, excessos, precisam de um palco: tira-lhes o público, sanarás esses vícios.
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