sábado, 10 de março de 2012

Carta 77

Muitas vezes sucede, de facto, que deveriamos morrer e não queremos, ou que morremos mesmo sem o querer! Não há alguém tão estupido a ponto de ignorar que, mais tarde ou mais cedo, há-de morrer; no entanto, quando a morte se aproxima, as pessoas vacilam, tremem, choram. Não ter parece o cúmulo da imbecilidade alguém chorar  por não ter vivido mil anos atrás? Pois não é menos imbecil alguém que chore por já não viver daqui a mil anos. As situações são idênticas: não existiremos no futuro, tal como não existimos no passado; um e outro espaço de tempo ser-nos-á alheio. Tu foste projetado para este ponto de tempo: por muito que o alargues, até quando poderás alargáa-lo? Porque choras? Por que anseias? tudo será em vão:

Não esperes alterar com preces o destino fixado pelos deuses!

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