Madame Lambertin passava todas as manhãs à porta de minha casa. Da janela do meu quarto, habituei-me a vê-la atravessar a rua todos os dias; tornara-se numa rotina. Em dias de sol, com a sua sombrinha amarela e roupa atrevida a condizer; nos dias de chuva, guarda-chuva negro e roupa a imitar uma viuvez imaginária. No regresso, o mesmo de sempre: uma cabazada de garrafas de Gueze. Esta peregrinação diária à brasserie da esquina, mudaram a tez viva desta trintona e o seu corpo anteriormente roliço já dava mostras de alguma secura.
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