quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Nvula


Do céu cinzento que se desfaz
Caem fortes bátegas tropicais
Alimentando minados solos férteis
Onde as mulheres zungam fuba e peixe nos canais

Nesta Quadra de ilusões desiguais,
Nas intermináveis serpentinas o mangue não cede 
Por todo o lado se ouvem despautérios matinais
Todos  procuram a tença que lhes tire a sede

Desesperados fogem pela rua
Duma paz que não se encontra
Pequena palavra que se encontra toda nua
Do lado de lá fitam a enorme montra

Embarcam em Kinshasa e Boma
Aqueles a quem a míngua não permite discernir
O sonho de encontrar esta terra 
Até serem repatriados sem tugir!


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Paquete Funchal



Os passos tropegos do Comandante são seguidos pelas objetivas das cameras de televisão. Foi o último a descer. A situação tornara-se insustentável! Quatro corajosos marinheiros permaneceram amarrados durante dois anos a uma doca inóspita e sem rumo traçado. A certeza dum fim anunciado pela ausência duma resposta cobardemente adiada pelo armador. Finalmente lá apareceu com ar cadavérico a anunciar que os sacrifícios também se alargam aos donos que não recebem ordenado. Foram quatro meses sem pagamentos e dois anos atracados a uma vida que se enterrou no Cais da Matinha.



Por onde antes saíam animados turistas tostados zarpam agora os quatro últimos marinheiros do Funchal. O esplendor e brilho da chegada contrastam com a ferrugem e o cinzento que agora são visiveis neste monstro adormecido. Sem água nem energia para dar vida aos candeeiros de lustre que outrora iluminavam as salas de dança. É um fado que se repete ... fechar, encerrar, terminar ... está tudo a colocar a aldraba e depois quem vai novamente abrir os horizontes desta gente?